Você está aqui: Home » Kênosis Fascículo I - Páscoa e a Ressurreição de Cristo - Março/Abril » Vida Eterna, a Mensagem Central da Páscoa

Vida Eterna, a Mensagem Central da Páscoa

Irmãos, alegrai-vos! Todo dia é dia de Páscoa, pois a vida em Cristo vence a morte em cada dia que vivemos, de forma permanente até o encontro final com o Pai na Eternidade.

Festejemos irmãos, porque é época de Páscoa, a principal festa para nós cristãos.

É pela celebração da Páscoa, visceralmente associada à ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, que temos a certeza absoluta de que Deus nos ama e de que estaremos com Ele, reconciliados, na vida eterna.

A Páscoa cristã, como a conhecemos, teve sua data fixada no Concílio de Nicéia, no ano 325 da nossa era. Entretanto, a Páscoa que celebramos tem suas origens na história do povo judeu, mais especificamente na Páscoa judaica, o Pessach, ou passagem, explicada adiante.

Ora, Jesus era judeu de sangue e cultura e, como tal, seguiu a tradição judaica na Páscoa. Ele celebrou o Pessach com seus discípulos na noite da última ceia. Nosso Senhor se utilizou desse ritual para instaurar seu memorial (participar, se fazer presente, atualizar, reviver), criando as bases para a Nova e Eterna Aliança, fundamentalmente alicerçada na comunhão – Eucaristia (“Tomai todos e comei…”) para os Evangelhos Sinóticos e no serviço ao próximo – Lavapés para o Evangelho de João. É aqui, portanto, que Ele começa a redefinir o contexto e conceito judaico da Páscoa, transformando-se Ele na oferenda perfeita, se fazendo Ele, Páscoa (João 6, 48: “Eu sou o pão da vida” e João 6, 51: “Eu sou o pão vivo descido do céu”).

Para nós, cristãos, Jesus é o cordeiro definitivo e, conforme Paulo em 2 Coríntios 5,21: “Aquele que não conheceu pecado, Ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus”. Jesus é feito pecado para que possamos, sem a culpa de nossos próprios pecados, nos reconciliarmos com Deus de forma definitiva e irrevogável. Em suma, alguém olhou para nossa miséria e fez justiça por nós, mesmo conhecendo nossas fraquezas e incapacidades.

Ser cristão é entender que Páscoa quer dizer vida eterna, pela ressurreição de Jesus. Quer dizer que Cristo, ao cumprir voluntariamente o projeto de salvação de Deus, redimiu e reconciliou a humanidade com o Pai, de maneira perfeita e eterna. Cristo, o cordeiro definitivo, foi imolado para que não mais vivêssemos sob o regime do pecado, distantes de Deus. Esse é o significado do sacrifício salvífico de Jesus, na cruz. Sim, porque nosso Rei reina totalmente despojado, de cima de uma cruz.

Por isso, podemos dizer que a vida eterna é a única promessa efetiva de Cristo para aqueles que nele crerem e que cumprirem seus 2 únicos mandamentos: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Assim, se para os judeus o Pessach quer dizer passagem; seja a passagem do anjo-exterminador ou a passagem da escravidão para a liberdade, do estrangeiro à terra prometida, para nós, cristãos, quer dizer, pelo batismo e ressurreição, passagem do pecado para a santificação, das trevas para a luz, da morte para vida, vida que se torna possível, perfeita e integral somente por Cristo, com Cristo e em Cristo.

E é a isso que o Senhor nos convida. A ressuscitar com Ele, em vida, e construir o Reino de Deus ainda nesta terra.

Infelizmente, somos os eternos discípulos de Emaús, que viajamos e sentamos à mesa com o Senhor, mas não O reconhecemos, apesar de esperarmos arduamente por sua volta, enunciada por Ele mesmo na última ceia: “Desde agora não beberei deste fruto da videira até aquele dia em que convosco beberei o vinho novo no Reino de meu Pai.” (Mt 26,29).

Esse Reino que somos chamados a participar – o Reino de Deus –, é semelhante a um tesouro, que quando é encontrado (por graça, favor imerecido) é tão transformador e infinito que obrigatoriamente nos faz querer compartilhar com o próximo. É isso que Cristo espera de nós… que saiamos e anunciemos a Boa Nova, seu Evangelho para todas as pessoas, nos 4 cantos de Terra.

O Reino de Deus Para que possamos viver seus mandamentos e construir o Reino de Deus nesse mundo, Jesus nos deixou o Espírito Santo – o Paráclito, o Espírito da Verdade, nosso advogado e defensor na terra.É Jesus quem pede ao Pai que deixe o consolador com os seus, porque a jornada dos discípulos (a nossa jornada) será muito difícil… pois seremos perseguidos em seu nome, ridicularizados, escandalizados, separados e até mortos.Como cidadãos do Reino de Deus, temos direitos e obrigações e faz-se imperativo ter real consciência deles: o principal é construir e compartilhar ativamente o Reino, em vida, respeitando os dois mandamentos de Cristo.

Na verdade, o Reino de Deus está dentro de cada um de nós, em nossos corações, sem visível aparência. Não está na geografia exterior ou em qualquer templo. É Jesus quem diz para não acreditarmos naquele que diz que o Reino de Deus é aqui, ali ou acolá: “Nem dirão: Ei-lo aqui! ou: Eí-lo ali! pois o reino de Deus está dentro de vós.” (Lc 17, 21)O buscar e encontrar o Reino de Deus em nós, dentro de cada um de nós, vem pela fé, do se entregar, do se submeter à vontade de Deus, do aceitar o seu santo cuidado, do descansar em Deus, do praticar livremente o amor, o único novo mandamento da fé de Jesus.

Porque a proposta de Deus não é conquistar o mundo para Ele, não tem a ver com o salte dessa torre em meu nome ou com o transforme essa pedra em pão. Isso é a proposta das trevas, as 3 tentações essenciais feitas a Cristo no deserto (cf. Lc 4,1-13 e par).Ao contrário, o Reino de Deus tem a ver com a conversão de nosso coração à misericórdia, ao perdão, à simplicidade, à certeza do amor de Deus por cada um de nós, amor este provado na morte de Cristo por cada um de nós, ainda mais sendo pecadores (cf. Rm 5, 8: “Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores”). O Reino de Deus advém da expansão da consciência de Deus em cada um de seus filhos, em cada um de nós.

A presença do Reino de Deus em nós se verifica pela nossa fé e pelas nossas atitudes, mas fundamentalmente pela graça do Espírito Santo. Então, basta que produzamos e compartilhemos os frutos do Espírito Santo (cf. Gal 5,22: “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio”), porque é quando agimos em favor do Reino de Deus (portanto, de Deus e do próximo), que cresce a conspiração positiva em nosso favor, sem que precisemos fazer nada mais, porque este Reino transborda de dentro de nós, positivamente, aos outros. Isso é o poder do pequeno, da força avassaladora do amor, o verdadeiro poder daquele que reina da Cruz!

Leia ou baixe a versão em PDF

Sobre o autor

Número de entradas : 32

© 2013 Blog Kênosis

Voltar para o topo