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São Francisco de Assis: por sua Kênosis, foi o santo cheio do Espírito Santo

Giovanni di Pietro di Bernardone, mais conhecido como São Francisco de Assis (Assis5 de julho de 1182 – 3 de outubro de 1226), foi um frade católico da Itália. Depois de uma juventude irrequieta e mundana, voltou-se para uma vida religiosa de completa pobreza, fundando a ordem mendicante dos Frades Menores, mais conhecidos como Franciscanos, que renovaram o Catolicismo de seu tempo. Com o hábito da pregação itinerante, quando os religiosos de seu tempo costumavam fixar-se em mosteiros, e com sua crença de que o Evangelho devia ser seguido à risca, imitando-se a vida de Cristo, desenvolveu uma profunda identificação com os problemas de seus semelhantes e com a humanidade do próprio Cristo (fonte: Wikipédia).

Sua atitude foi original também quando afirmou a bondade e a maravilha da criação num tempo em que o mundo era visto como essencialmente mau, quando se dedicou aos mais pobres dos pobres e quando amou todas as criaturas chamando-as de irmãs. Dante Alighieri disse que ele foi uma “luz que brilhou sobre o mundo” e para muitos ele foi a maior figura do Cristianismo desde Jesus. Foi canonizado pela Igreja Católica menos de dois anos após falecer, em 1228, e por seu apreço à natureza é também mundialmente conhecido como o santo patrono dos animais e do meio ambiente.

A aparência física de Francisco era extremamente agradável e sua face refletia a inocência de sua vida, a pureza de seu coração e o ardor do fogo divino que o consumia. Sua visão de si mesmo era, porém, peculiar: descrevia-se como um “franguinho preto”.

A fama de santidade que angariou em vida e perdura até os dias de hoje não decorreu de grandes manifestações de erudição religiosa, que jamais fez questão de possuir, e tampouco de seus milagres, que não obstante foram muitos e impressionantes, mas do seu exemplo de uma vida de completa dedicação ao próximo, dedicação que era animada por uma compreensão profunda, uma sinceridade espontânea, uma simplicidade autêntica em todas as coisas, qualidades banhadas de uma calorosa fraternidade, simpatia e caridade. Na visão de seus contemporâneos ele era o mais perfeito seguidor de Jesus Cristo e sua presença em qualquer cidade era sempre um acontecimento.

Para Francisco a pobreza, a “Senhora Pobreza” que ele costumava dizer ter desposado, não era um objetivo, mas antes um instrumento pelo qual se podia obter a purificação necessária para a habitação de Deus no interior de cada um e para a perfeita comunhão com o semelhante, metas frente às quais todas as outras considerações eram subordinadas. O outro instrumento privilegiado para isso era a imitação do exemplo de vida dado por Cristo nos Evangelhos, e para tanto a obediência era fundamental. Cristo fora pobre, e assim os irmãos também o seriam, e a pobreza deveria ser entendida por todos os seus companheiros não só como uma disciplina de ascetismo em si, mas como fonte de verdadeira graça e alegria.

Além da pobreza exterior, comandada expressamente na sua Regra Primitiva, que proibia os monges até de andarem calçados e possuírem domicílio fixo, Francisco enfatizava a pobreza interior (Kênosis), entendida no despojamento de toda pretensão a aquisições intelectuais e mesmo morais e espirituais, consideradas como formas dissimuladas de obter domínio sobre os outros e como expressões de orgulho e individualismo.

Como pregador e pacificador, sua paciência e bondade para com todos fizeram com que fosse procurado constantemente por pessoas de todas as posições sociais que iam a ele em busca de conselho e orientação, e a todos instruía na melhor forma de alcançar a salvação na condição em que se encontravam, regozijando-se em ver que suas palavras amiúde davam frutos positivos e que os costumes se iam reformando gradualmente. Francisco desejava acima de tudo que os irmãos pregassem através do exemplo pessoal, conseguido na imitação do exemplo de Cristo. Outra de suas contribuições foi a de enfatizar a paz, a tolerância, o respeito e a concórdia, e ele sempre teve a convicção de que os irmãos deviam ser pacificadores, o que deixou expresso em vários escritos e foi repetido por seus biógrafos.

Mesmo nas missões que enviou para entre os muçulmanos fez recomendações para que os missionários mantivessem uma postura de respeito para com as manifestações da divindade em todos os credos e de sujeição às leis civis locais, e que evitassem se envolver em disputas teológicas.

Trechos de Cartas de São Francisco de Assis aos fiéis

“Quão felizes e benditos são aqueles e aquelas que amam o Senhor “de todo coração, com toda a alma, com toda a mente e com todas as forças” e ao próximo como a si mesmos, odiando seus corpos com seus vícios e pecados, recebendo o corpo e o sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo e produzindo frutos dignos de penitência.”

“Sendo servo de todos, a todos devo servir as odoríferas palavras de meu Senhor.  Por isso, considerando que não posso visitar a cada um em particular, por causa da enfermidade e debilidade do meu corpo, fiz o propósito de comunicar-vos por meio das presentes letras e de mensageiros as palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é a Palavra do Pai, bem como as palavras do Espírito Santo, que são “espírito e vida.”

“Devemos amar os nossos inimigos e fazer bem aos que nos odeiam. Devemos observar os preceitos e conselhos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Devemos também renunciar a nós mesmos e submeter os nossos corpos ao jugo da servidão e da santa obediência como cada um prometeu ao Senhor.”

São Francisco, o Papa Francisco e a Igreja como “Império” de Serviço ao Próximo

Em 2013 passamos a ser guiados por um Papa “Franciscano”; o primeiro na história, o cardeal jesuíta argentino Jorge Mario Bergoglio, que assumiu o nome de Francisco.

Em meio à crise política, financeira e teológica vivida pela Igreja nos últimos anos, que culminaram com a renúncia do Papa Bento XVI, agora Papa Emérito, o Papa Francisco surge como uma luz do Espírito Santo forte o suficiente para iluminar nosso caminho em meio às trevas que nos cercam e que, muitas vezes, estão dentro de nossos muros e corações.

Sim, há luz no catolicismo e seu brilho está crescendo, mas nós, leigos, temos a obrigação como cidadãos do Reino de Deus de zelar pela doutrina de Jesus Cristo, mesmo que essa seja diferente da doutrina aparentemente defendida por qualquer de nossas igrejas ao longo dos anos.

O Papa Francisco vem fortalecendo a mensagem genuína do Lavapés, orientada ao amor incondicional a Deus e ao serviço incansável ao próximo, como dogmas inegociáveis de nossa fé, a partir de diversas atitudes práticas e simbólicas, que vêm encantando a muitos não-cristãos, “reconvertendo” a tantos outros e reaquecendo o coração de católicos e mais católicos. Vários têm sido esses sinais desde o mês de Março deste ano, tanto comportamentais, como verbais:

  • Em sua primeira interação com os fiéis, no Vaticano, no dia de sua eleição, o Papa Francisco, antes de abençoar os fiéis, pediu que fosse, por eles, abençoado. Também, em sinal de humildade e em tom amigo e próximo, disse que haviam ido buscar um papa no fim do mundo, na América do Sul (dado que há séculos só havia papas europeus).
  • Nesta mesma ocasião, abdicou dos trajes mais formais e luxuosos, utilizando roupas simples e um crucifixo de ferro (o mesmo que usa desde que se tornou Bispo em Buenos Aires). Imediatamente proclamou que a missão dos cristãos, como discípulos de Cristo, é caminhar com o povo, especialmente com os mais pobres e necessitados, edificar a Igreja e confessar a fé na cruz de Jesus Cristo.
  • Dentre outros gestos menores, mas indicativos de uma nova forma de enxergar o poder conferido ao cargo que ocupa, abriu mão do enorme aposento no Vaticano que lhe conferiram, pagou a conta de seu hotel com seu próprio dinheiro e abraçou crianças e fiéis nas ruas, quebrando os rígidos protocolos de segurança do Vaticano.
  • Em sua missa inaugural, com a presença dos líderes de diversas igrejas – inclusive dos patriarcas do oriente que foram especialmente assentados nas primeiras fileiras, à frente mesmo dos cardeais romanos -, bem como de diversos chefes de Estado (como a Presidente Dilma), Francisco celebrou em grego, língua que simboliza a “unidade das igrejas do Ocidente e do Oriente”, abandonando o latim. Também usou anel de prata, ao invés de ouro e encurtou sua duração em respeito aos não crentes.
  • Em um de seus comunicados mais impactantes aos membros do clero, Francisco afirmou que ser sacerdote é uma unção e não uma função. Por isso, é obrigação dos sacerdotes estarem junto ao rebanho, sempre, e não dentro das igrejas e sacristias, focando-se em atividades burocráticas.
  • Assim como Jesus disse a Pedro (entendamos, portanto, à Igreja Católica Apostólica Romana) em Mc 10, 43-45 “quem quiser ser grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será servo de todos. Pois o próprio Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos”, o Papa Francisco afirmou que a liderança e o poder são uma benção que trazem consigo o fardo obrigatório de terem como única finalidade o SERVIR ao próximo e o bem comum.
  • Como parte das celebrações da Quinta-Feira Santa, o Papa Francisco quebrou diversos tabus na tradicional cerimônia do Lavapés: lavou e beijou os pés de 12 prisioneiros em um centro de detenção de jovens infratores perto de Roma (primeira vez que essa tradição é feita fora do Vaticano e com prisioneiros). Entre os jovens estavam duas garotas – uma italiana, católica, e outra de origem sérvia e muçulmana (primeira vez que um Papa beija os pés de uma mulher e primeira vez que beija os pés de uma fiel a outra religião) claramente materializando seus valores franciscanos de igualdade, respeito, serviço, universalidade e humildade.

Com isso, rememoramos que nossa Igreja foi fundada por Cristo sobre a pedra angular Pedro, um analfabeto, pobre e ignorante e que o negou 3 vezes.  Como aprendemos nos Evangelhos, Jesus já sabia dessa condição de Pedro e também sabia que seria assim com qualquer outro discípulo que ele escolhesse. É somente compreendendo o projeto e visão de mundo e Igreja de nosso Senhor Jesus Cristo, que conquistamos o conforto de aceitar e participar de uma Igreja que é o que é porque Jesus, como Deus, assim a quis, já que conhece profundamente – e por experiência própria carnal – a condição humana, deixando claro desde o princípio que a Igreja não seria de super-homens perfeitos, mas de líderes humanos, de coração puro e aberto à fé, abandonados em Cristo e defendidos pelo Espírito Santo, aptos a se tornarem instrumentos deste mesmo Espírito.

Ao tomar essa decisão de abraçar a imperfeição humana, Jesus aceitou nossa fraqueza, inconstância e incapacidade como parte da igreja-organização humana, tornando-a perfeita, como Igreja, por sua santidade e não por nosso mérito, dado o pecado que abunda na humanidade e, portanto, em todos (100%) dos fiéis e membros de sua Igreja. Por isso, Cristo não exigiu perfeição, mas conversão verdadeira, contrição e perdão.

Assim, como nós, membros da Igreja, somos pecadores que podemos fazer o pecado nela habitar (pois agimos em nome dela, por ela, com ela, nela), quanto mais longe ficamos da Igreja, mais propensos estamos ao pecado e, quanto mais perto de sua graça e comunhão, mais santos ficamos, pois somos santificados pela herança de Cristo. É por isso que os membros santos da Igreja fazem penitência para purificar os membros pecadores e essa comunhão de santos faz parte de nosso credo, pois somos todos pecadores e santificados por Cristo.

Aparentemente, Deus e Jesus sempre escolheram os improváveis, pecadores e fracos para realizarem sua obra: Abraão, Moisés, Salomão, Pedro, Paulo, Constantino, etc. Por essa graça e por essa ausência de exigência por perfeição de Jesus ao Homem, podemos afirmar e aceitar que somos escolhidos para pregar sua Palavra, já que o Evangelho, escrito para nós, se torna legítimo para nós como instrumento de conversão de TODOS os nossos irmãos, simplesmente porque o Evangelho não é para os perfeitos, mas para os que dizem sim a Jesus.

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