Santo Estêvão

Santo EstêvãoSanto Estêvão, um dos 70 discípulos, é o primeiro mártir do cristianismo para católicos, ortodoxos e anglicanos. Por isso, é chamado de protomártir, por ser o primeiro cristão a entrar em comunhão de sacrifício com o Senhor Jesus, ao dar a sua vida – sua carne e seu sangue – para se juntar ao sofrimento de sacrifício de Cristo, na cruz, não porque o Sacrifício de Jesus tenha sido incompleto ou precise de complementos, mas porque é objetivo de todo cristão viver a vida conforme seu Senhor.

Seu dia é 26 de Dezembro no Ocidente e 27 de Dezembro no Oriente e sua história aparece nos capítulos 6 e 7 do livro dos Atos dos Apóstolos, no Novo Testamento.

O nome grego de Estêvão parece indicar que ele fosse judeu “helenizado“. Por “homem acreditado” entende-se que a comunidade cristã (“toda a multidão”) dava bom testemunho (martyria) dele.

Também segundo os Atos dos Apóstolos, Estêvão foi um dos sete primeiros diáconos da igreja nascente, logo após a morte e ressurreição de Jesus, pregando os ensinamentos de Cristo e convertendo tanto judeus como gentios. Pertencia a um grupo de cristãos que pregavam uma mensagem mais radical, conhecido como os helenistas, já que os seus membros tinham nomes gregos, eram educados na cultura grega e se separaram do grupo dos doze apóstolos. Eram também conhecidos como o “grupo dos sete.”

Consta que houve reclamações por parte dos judeus que falavam grego (hellēnistōn) contra os judeus que falavam hebraico (hebraious), porque suas viúvas estavam sendo preteridas na distribuição (diakoniāi) diária de alimentos (Atos 6,1). Os Apóstolos convocaram então os discípulos e propuseram que fosse formada uma comissão de “sete homens acreditados (martyroumenous), cheios de espírito e de sabedoria” (Atos 6,3), que se incumbiriam da distribuição. Estêvão, “homem cheio de fé e Espírito Santo” (Atos 6,5), estava entre esses, todos usando nomes gregos, que foram postos diante dos Apóstolos e, após terem orado, receberam a imposição das mãos.

O serviço do alimento, todavia, parecia não prejudicar o serviço da palavra (diakoniāitoūlogou), uma vez que diversos homens procuravam Estêvão para discutir com ele, mas não podiam fazer frente “à sabedoria e ao espírito com que falava” (Atos 6,9-10). Também contribuiu para sua fama o fato de ele, “cheio de graça e de poder”, realizar “grandes portentos e sinais entre o povo” (Atos 6,8).

Assim, segundo os registros, Estêvão não se limitava ao trabalho social de que fora incumbido. Não perdia a chance de divulgar e pregar a palavra de Cristo e o fazia com tanto fervor e zelo que chamou a atenção dos judeus. Pego de surpresa, foi preso e conduzido diante do Sinédrio, onde falsos testemunhos, calúnias e mentiras foram a base de sustentação para sua acusação. As testemunhas informaram que Estêvão dizia que Jesus de Nazaré prometera destruir o templo sagrado e que também queria modificar as leis de Deus transmitidas a Moisés.

Num discurso iluminado Estêvão repassou toda a história hebraica, de Abraão a Salomão, e provou que não blasfemara contra Deus, nem contra Moisés, nem contra a Lei, nem contra o templo. Teria convencido a seus algozes e sairia livre, se não tivesse continuado, agora pregando abertamente a palavra de Jesus. Os acusadores, irados, o levaram, aos gritos, para fora da cidade e o apedrejaram até a morte. Segundo a Tradição, Saulo de Tarso (futuramente São Paulo), ainda não convertido, estaria presente neste apedrejamento.

Como no evento da cruz, antes de tombar morto, Estêvão repetiu as palavras de Jesus no Calvário, pedindo a Deus perdão para seus agressores. Aliás, alguns dos Padres da Igreja, como Santo Agostinho e São João Crisóstomo, atribuem a conversão de Saulo- futuro São Paulo, Apóstolo dos Gentios, às orações de Santo Estêvão.

Durante os primeiros séculos do cristianismo, o túmulo de Estêvão achou-se perdido, até que em 415 (talvez pela crescente pressão dos peregrinos que se deslocavam à Terra Santa) um certo padre de nome Luciano afirmou ter tido uma revelação onírica sobre onde se encontrava a tumba do mártir, na povoação de Caphargamala, a alguns quilômetros a norte de Jerusalém.

Por tudo isso, quando suas relíquias foram encontradas em 415 causaram forte comoção nos fiéis, dando início a um fervoroso culto de toda a cristandade. A festa de Santo Estevão é celebrada sempre no dia seguinte ao da festa do Natal de Jesus, justamente para marcar a sua importância de primeiro mártir de Cristo e um dos sete escolhidos dos apóstolos.

Fato é que o testemunho de Santo Estevão não gera dúvidas, porque sua documentação é histórica, encontra-se num livro canônico – Atos dos Apóstolos -, fazendo parte das Sagradas Escrituras.

Santo Estêvão goza de bastante popularidade em países europeus, como Espanha, Itália e Portugal. No Brasil, existem, além de diversas capelas e casas de formação, outras sete paróquiasdedicadas a Santo Estêvão.

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