Santo Atanásio

SantoAtanásio de Alexandria, dito o Grande ou o Confessor, chamado também de o Apostólico na Igreja Ortodoxa Copta, foi o vigésimo arcebispo de Alexandria (como Atanásio I de Alexandria). Seu episcopado durou 45 anos (ca. 8 de junho de 328-2 de maio de 373), dos quais dezessete passou exilado, em cinco ocasiões diferentes e por ordem de quatro diferentes imperadores romanos.

Atanásio foi um importante teólogo cristão, um dos “padres da Igreja”, o principal defensor do trinitarismo contra o arianismo e um grande líder da comunidade de Alexandria no século IV.

O conflito contra Ário e seus seguidores, apoiados muitas vezes pela corte em Roma, moldou a carreira de Atanásio. Em 325, com 27 anos, começou a luta contra os arianos como assistente de seu arcebispo, Alexandre, no Concílio de Niceia, convocado pelo imperador Constantino I entre maio e agosto de 325, para tratar da tese ariana de que o Filho de Deus, Jesus de Nazaré, e Deus Pai seriam de substâncias (ousia) diferentes . Três anos depois de Niceia, Atanásio sucedeu ao seu mentor como arcebispo.

Além do conflito contra os arianos, que incluía o poderoso e influente partido liderado por Eusébio de Nicomédia, ele lutou também contra os imperadores Constantino, Constâncio II, Juliano, o Apóstata e Valente e, por isso, era conhecido como “Athanasius Contra Mundum” em latim.

Apesar disso, poucos anos depois de sua morte, Gregório de Nazianzo chamou-o de “Pilar da Igreja”. Suas obras foram celebradas por todos os padres da Igreja que vieram depois dele, tanto no ocidente quanto no oriente, que ressaltaram sua rica devoção ao Verbo-encarnado, sua grande preocupação pastoral e seu profundo interesse no nascente monasticismo.

Atanásio aparece entre os quatro grandes doutores da Igreja orientais da Igreja Católica Romana. Na Ortodoxia, ele é chamado de “Pai da Ortodoxia”. Algumas denominações protestantes chamam-no de “Pai do Cânon”.

Atanásio e a compilação do Cânon Católico (a Bíblia)

Dentre suas principais contribuições á Igreja, foi ele a primeira pessoa a identificar os mesmos 27 livros do Novo Testamento utilizados hoje em dia como canônicos. Até então, listas similares de obras a serem lidas nas igrejas eram utilizadas. Um marco na evolução do cânon do Novo Testamento é a sua carta pascoal escrita em 367, conhecida geralmente como “39ª Carta Pascal”. O papa Dâmaso I, bispo de Roma em 382, promulgou uma lista de livros que continha os mesmos livros propostos por Atanásio.

Um sínodo em Hipona, em 393, repetiu a lista de Atanásio e Dâmaso (sem a Epístola aos Hebreus) e um concílio em Cartago em 397 repetiram-na novamente.

Porém, estudiosos ainda debatem se a lista de Atanásio em 367 era ou não a base das listas posteriores. Como o cânon de Atanásio é, dentre os padres da Igreja, o que mais se parece com o cânon utilizado pelas igrejas protestantes modernas, muitos teólogos protestantes apontam Atanásio como o “Pai do cânon”.

De fato, eles são idênticos, exceto que Atanásio inclui o Livro de Baruc e a Epístola de Jeremias, além de incluir o Livro de Ester entre os “sete livros que não fazem parte do cânon, mas que devem ser lidos”, juntamente com a Sabedoria de Salomão, Sirácida, Judite, Tobias, a Didaquê e o Pastor de Hermas.

O catolicismo parte do pressuposto que Jesus deixou o magistério como memória viva de seus ensinamentos, a serem conduzidos e reproduzidos fielmente, como continuação da jornada do Corpo de Místico Cristo na terra, até o final dos tempos.

Alguns protestantes e evangélicos entendem que a Bíblia é a única referência de fé e que Igreja Católica, por considerar a Tradição, se corrompeu e perdeu sua legitimidade. No Velho Testamento, nós, católicos, temos em nossa Bíblia 46 livros (deuterocanônica), enquanto os protestantes, como os judeus, têm 39 (Torá e Profetas são iguais, mas os Escritos são diferentes e só foram fechados no cânon judaico no final do século I, quando estes excomungaram os cristãos, proibindo-os de pregar nas sinagogas a partir da septuaginta, que continha os 7 livros).

Estranho concluir que os protestantes seguem os rabinos e não os apóstolos, pois estes, e não aqueles, são pós-Cristo. É por essa razão que os protestantes não incorporam Tobias, Judite, Sabedoria, Baruc, Eclesiástico ou Sirach ou livro de Jesus Ben Sirach, Macabeus 1, Macabeus 2, além de pedaços de Esther e Daniel, que estão na septuaginta, ou a tradução dos setenta, da bíblia para o grego, que acabou se tornando componente da tradição dos apóstolos por seu uso abundante.

Aliás, vale se perguntar por que alguns protestantes aceitam a decisão da Igreja Católica (a partir da proposta de Atanásio) sobre os 27 livros do Novo Testamento, mas não os 46 do Velho?

De qualquer forma, esta tão analisada Bíblia foi escrita pelos católicos, para os católicos, porque naquela época (perto do ano 400) só existiam os católicos. A seleção dos livros se deu por Tradição católica, pelo uso e leitura dos livros na missa (que era lida, por que a maioria dos fiéis era analfabeta). Então, qual o nexo de se negar a Tradição, mas aceitar a Bíblia, seu subproduto?

A Igreja primitiva, originada dos apóstolos, é a mãe do itinerário de universalização da fé em Cristo, com diferentes etapas e épocas: I – Apostolado – apóstolos, II – Padres Apologéticos – apologias, pais da Igreja, III – Concílio de Trento, em 1546, que normatizou todo arcabouço teológico e doutrinário.

Foi esta Igreja Católica quem nos deu a Bíblia e não vice-versa, porque a Igreja é anterior à Bíblia.

Assim, não há sentido em discordar de crenças como a Comunhão dos Santos, já que esta fazia parte verdadeira da fé da Igreja primitiva apostólica.

CatacumbasFoto tirada de dentro das Catacumbas de São Sebastião, nos arredores de Roma, de inscrições datadas dos anos 300, que expressam claramente “… Petre petite pro Victore”, ou “Pedro, peça/interceda por Vitória”. Este é o pedido de uma mãe católica/cristã rezando, por crença na Comunhão dos Santos, pela intercessão de Pedro por sua filha Vitória, de 3 anos.

Importa lembrar que antes do final do Sec. IV não havia bíblia ou sequer catecismo completo, mas, como nos apóstolos, já havia no “Povo de Deus”, crente, por exemplo, na teologia do Corpo Místico de Cristo, refletida pela crença na intercessão e na Comunhão dos Santos. Negar como? Para que? Nem Lutero negou…

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