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O que é

A Quaresma é o tempo que antecede a Páscoa do Senhor. É um tempo próprio para que cada um de nós avalie, corrija e aprofunde os compromissos firmados com Deus com Deus através do nosso batismo.

Efeitos do batismo em nossas vidas:

  • Cancela a dívida do homem para com seu Deus-Criador, gerada pela desobediência e renegação da criatura à soberania daquele que lhe deu a vida. Esta desobediência, figurativamente tratada no Gênesis pelo pecado de Adão e Eva, é denominada na teologia paulina por “Pecado Original”.
  • Nos torna filhos de Deus, irmãos de Jesus Cristo e templos do Espírito Santo; portanto, habitação da Santíssima Trindade. (“Viremos a ele e nele faremos nossa morada” – Jo 14, 23).
  • Infunde em nós as três virtudes teologais: fé, esperança e caridade, ainda que como sementes, que precisam ser regadas em nosso dia a dia (sacramentos, orações, leitura da Bíblia e boas obras), para que  germinem e deem bons frutos.
  • Nos faz herdeiros de Deus, herdeiros da eternidade, do paraíso.
  • É a porta de entrada para os outros Sacramentos, já que por ele é que podemos receber os outros sacramentos, como matrimônio, ordem e confissão.
  • Nos faz cristãos, pois passamos a ser de Cristo, parte de seu Corpo Místico, que é a Igreja. Aqui está a nossa vocação essencial cristã: tornarmo-nos seguidores de Cristo, parecidos com Cristo, pelas nossas obras, pela nossa conduta, pela nossa fé e relação direta com o Pai.
  • Nos introduz e incorpora à Igreja, nos fazendo ser Igreja, membros vivos e comprometidos com a Igreja e com o Evangelho.
  • Nos imprime o caráter cristão, que transforma nossa alma para sempre, definitivamente, de forma que mesmo com os pecados mortais que cometemos, que nos afastam de Deus e da graça santificante, ainda sim temos o caráter batismal que traz consigo a ação do Espírito Santo para nossa reconversão diária e religação com Deus.

Por isso, todos nós, como batizados, temos como missão:

  1. Viver no Pai: fortalecer, solidificar e frutificar nossa relação direta com o Pai, Deus-Amor, conforme Cristo-Rei nos ensinou, pela obediência, frequência nos Sacramentos, oração, serviço ao próximo e a “santa” compreensão à condição de sofrimento que eventualmente nos acomete ou a alguém querido. Esse é o primeiro dos dois mandamentos de Jesus.
  2. “Ser” Jesus: Agir como filhos de Deus, irmãos de Cristo, em tudo procurando nos assemelharmos a Ele, ou seja, em nosso dia a dia, em nossas pequenas e grandes ações e decisões termos Jesus como modelo a imitar, nossa lente e régua – lente, porque é o prisma que adotamos para escolher o que e como fazer; régua porque é por seus valores e ensinamentos que medimos a santidade e o efeito do que fazemos.

Semanalmente temos a oportunidade de receber Jesus Eucarístico e deixarmo-nos possuir por seu modelo de fé, esperança, amor e caridade, mantendo assim, sem qualquer mérito de nossa parte, a condição de salvação conquistada por Ele na cruz do calvário.

  1. Pregar a Boa Nova: Pregar o Evangelho aos quatro cantos do mundo e converter mais irmãos, agindo como verdadeiros pastores, dando sentido prático à determinação de Jesus (“Ide por todo mundo, pregai o evangelho a toda criatura” – Mc 16,15).
  2. Materializar o Bem: o cristão se qualifica pelas boas obras. São elas que materializam a proposta de irmandade e união tão desejada por Jesus. Segundo Thiago nos ensina (Tg 2,14), “a fé sem obras é morta”, pois são elas que transformam os sentimentos etéreos em benefícios concretos de amor ao próximo. Este é o segundo dos dois mandamentos de Jesus.
  3. Ser Igreja: como batizados, herdamos, pelo Espírito Santo, a condição de filhos de Deus e membros da Igreja, agentes ativos do Evangelho em todas as nossas comunidades. Por nos tornarmos Igreja e passarmos a pertencer à comunhão dos santos manifestada no Corpo Místico que tem Cristo como cabeça, assumimos também o papel de sacerdotes do lar, de nossa igreja doméstica e também de nossas comunidades mais próximas, em tudo trabalhando para que a obra do Senhor dê frutos reais em nossas vidas e das pessoas que conosco se relacionam.
  4. Perdoar e afastar o mal: a palavra diabo, no latim “diabolu”, se origina do termo grego “diábolos”, que define aquele que desune, que inspira ódio ou inveja, que mente e faz o mal. Ora, se o instrumento do mal para inocular seu efeito pecaminoso está em promover a desunião – separar os membros do Corpo Místico de Cristo – então o antídoto que Jesus nos deixou contra o mal é o PERDÃO, por mais difícil e estranho que seja.

Por isso, é obrigação do cristão trabalhar pela união, pelo acolhimento e pela integração de seu próximo, seja quem for esse próximo. Qualquer espírito ou atitude de exclusão, preconceito, afastamento, isolamento, superioridade, exclusivismo ou fechamento não é de Jesus, pois não serve ao seu Evangelho e à união de sua Igreja, fortalecimento de seu Corpo Místico.

Que possamos nessa Quaresma, cada um à nossa própria maneira, e sempre com o apoio fundamental de nossas famílias e da Igreja, revisitarmos a verdade de nossa fé, a constância de nossas boas ações e a pureza de nossa consciência, pois o que nos transforma em cristãos (seres de Cristo) é o batismo, mas o que realmente nos faz verdadeiros cristãos é a conversão diária e prática de nossos corações ao Evangelho, tanto por amarmos a Deus sobre todas as coisas, como por amarmos e servirmos ao próximo como Jesus nos amou e serviu.

Fé, conversão e comunhão não são aspectos que testemunhamos e vivenciamos aos domingos (“cristãos de domingo”), mas tudo que pensamos, sentimos, fazemos e não fazemos entre os domingos, em nosso quotidiano.

© 2013 Blog Kênosis

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