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Divisão da Igreja de Cristo, nossa maior vergonha

Desde o início do cristianismo, convivemos com as diferentes correntes cristãs.

Partindo principalmente da fé da Igreja Primitiva e da Tradição, durante os 300 primeiros anos, derivando na consolidação da ortodoxia a partir da formalização doutrinária e litúrgica Igreja Católica no Sec. IV e ao longo período dos 7 primeiros e mais importantes concílios ecumênicos, hoje de comum aceitação por todas as principais igrejas tradicionais, até mais ou menos término do primeiro milênio da era cristã, diversos foram os movimentos de separação da Igreja de Cristo, fossem esses oriundos de correntes heréticas, fossem oriundos de disputas políticas.

No espectro especificamente católico, já se vão mais de 1000 anos desde que a Igreja começou a se dividir mais de maneira mais intensa, primeiramente com o Cisma do Oriente (1054) e o nascimento do cristianismo de culto ortodoxo, seguido pelo Grande Cisma do Ocidente (1378 a 1417) e a disputa entre os papas de Roma e Avignon e, posteriormente, pelo movimento da Reforma Protestante (1517) e suas infinitas derivadas, formadas tanto pelas igrejas mais tradicionais, como pelas seitas mais recentes, autodenominadas evangélicas pentecostais, neopentecostais e afins, que têm se proposto a “reformar” os reformadores, em um movimento quase que permanente de divisão.

Com essa profusão de ritos e igrejas, o imperativo de Jesus – “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc: 16,15)” – tem sido relativizado e prejudicado no que tange à sua unicidade, relevância e, principalmente, confiabilidade em torno das mensagens mais centrais, como ressurreição, vida eterna, perdão dos pecados e serviço ao próximo.

Efeito prático, hoje, em pleno Sec. XXI, “ainda” somos 1,2 bilhões de católicos em todo mundo (40% na América Latina, especialmente Brasil e México), para perto de 2,2 bilhões de cristãos; ou seja, nem 30% de toda humanidade (já que somos mais de 7 bilhões de pessoas neste planeta), apesar do cristianismo, como um todo, ainda ser a religião com maior volume de adeptos no mundo.

Estamos, a duras penas, aprendendo que qualidade de fé é “melhor” que quantidade de “fieis”. Também estamos verificando um bom crescimento da base de católicos a partir de 2010, mas ainda há muito por fazer, especialmente se levarmos em consideração que boa parte dos 1,2 bilhões de católicos assumidos somente se define como tal, mas pouco conhece e vive sua fé.

Neste período milenar, a Igreja Católica Apostólica Romana se firmou como a Igreja Cristã do Ocidente, mas perdeu representatividade e legitimidade em todo Oriente, berço do nascimento da Igreja fundada por Cristo. Afinal, Jesus e todos os seus discípulos eram judeus primordialmente nascidos na Judeia ou na Galileia (atuais Israel e Palestina) e, portanto, orientais.

Com as cruzadas e as guerras árabes, pouco a pouco, o catolicismo perdeu as 4 cidades mais importantes do início do cristianismo: Alexandria no Egito, Antioquia na Síria e Constantinopla (atual Istambul) na Turquia, estas atualmente todas muçulmanas, além, claro, de Jerusalém, sempre de dominância judaica, assim como todo mundo grego (Grécia, Creta e Chipre) e russo, que se tornaram ortodoxos, a partir do Cisma do Oriente.

Ainda no Oriente, vale lembrar que os dois países mais populosos do mundo – China e Índia – mal conhecem o cristianismo e o mesmo vale para o Japão. Na Oceania, países como Austrália e Nova Zelândia professam a fé cristã, mas eminentemente protestante, uma vez que foram colonizados em grande monta pelos anglicanos.

Igualmente, na metade do milênio passado, o catolicismo perdeu segmentos importantes no próprio Ocidente, especialmente na sua porção de origem não latina, bastante mais conectada a algumas das igrejas protestantes que fundaram, como a anglicana (Grã-Bretanha), a luterana (principalmente Alemanha) e a presbiteriana (Suíça, França, Escócia e Holanda). Neste grupo estão os países europeus de origem bárbara e anglo-saxônica e também os países do Novo Continente (América), como os Estados Unidos e a parte inglesa do Canadá, por eles colonizados.

Além disso, o crescimento violento do islamismo e suas diversas facções instaladas a partir do mundo árabe asiático e norte-africano se evidencia cada vez mais na Ásia central (especialmente nos países da ex União Soviética e no Paquistão, Índia e Afeganistão), em todo continente africano negro, na Indonésia e em outros países amarelos.

Mais recentemente, na Europa, seu crescimento tem-se dado principalmente com os movimentos de imigração de países como Turquia, Sérvia, Bulgária e demais países dos Cárpatos e do antigo bloco comunista para países como Alemanha, Suíça, Holanda e países da Europa Setentrional (Dinamarca, Finlândia, Noruega e Suécia) e com a imigração dos norte-africanos principalmente para a França, mas também Itália, Espanha e Portugal.

Continente População total (2005) Total de católicos % de católicos % sobre o total de católicos no mundo
África 885.103.542 135.211.325 15,27% 12,57%
Américas 887.198.213 524.162.233 59,08% 48,75%
Ásia 3.629.067.358 120.860.699 3,33% 11,24%
Europa 728.571.703 283.916.457 32,41% 24,97%
Oriente Médio 260.026.365 2.990.573 1,15% 0,27%
Oceania 30.686.469 7.747.654 25,24% 0,72%

Total de Católicos por continente: ano-base 2005

E porque isso é importante para nós? Qual o problema prático que essa realidade nos traz?

É simples: estamos falhando com Jesus na única coisa que ele nos impôs (“Ide por todo o mundo…”).

Nesses 1000 anos de vergonha e desunião, podemos afirmar que, como cristãos, temos, na verdade, ajudado a edificar um evangelho meio que antijesus, mais da carne e das emoções do que do espírito e da Verdade, mesmo que tenhamos nos esforçado (ou não) no sentido contrário. Aqui, infelizmente, podemos aplicar a régua proposta por Jesus, que nos manda avaliar a integridade da árvore a partir dos frutos que produz.

Uma vez que a divisão e a desunião estão na natureza essencial daquele denominado biblicamente como anticristo (diabo vem de diabolus, em latim, que significa aquele que divide, que causa discórdia, que separa uma comunidade), nossa única resposta de anulação ao seu poder temporal só pode ser a união, como irmãos, em Corpo Único, em torno do Evangelho de Cristo.

Em tempo, vale lembrar que, antes de praticantes do rito romano, somos católicos (universais) e apostólicos (conforme a fé dos Apóstolos).

Por isso, devemos reagir com toda legitimidade em Cristo naquilo que for contra a premissa de universalidade (igualdade em Cristo e da graça de Cristo com todos, para todos e por todos) ou contra a premissa de fé apostólica (inclinações heréticas, de aspirações dominantes, superficializantes ou segregacionistas, ou ainda supostamente revelacionistas no plano individual).

Como Paulo, em Gálatas 1, devemos bradar!

Eu, Paulo, “apóstolo (não da parte dos homens, nem por homem algum, mas por Jesus Cristo, e por Deus Pai, que o ressuscitou dentre os mortos), e todos os irmãos que estão comigo, às igrejas da” Galácia, “Graça e paz da parte de Deus Pai e do nosso Senhor Jesus Cristo, o qual se deu a si mesmo por nossos pecados, para nos livrar do presente século mau, segundo a vontade de Deus nosso Pai, ao qual seja dada glória para todo o sempre. Amém.Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho; o qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo: se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema.”

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